sexta-feira, 3 de julho de 2009

Seja coerente, Katia Abreu

meio ambiente mop 458 katia abreu greenpeace sustentabilidade alimento terrasUma frase muito bela, que fica feia no seu contexto original. "O meio ambiente é um tema da maior importância para o Brasil, não pode ser tratado como um monopólio de apenas meia dúzia de pessoas".  

Ela foi proferida pela senadora Katia Abreu ao plenário na última terça-feira (30), falando também que graças ao "agronegócio que o Brasil está exportando mais produtos agrícolas do que o que compra de outros países".

Uma inversão de valores, eu diria. O Brasil não está exportando menos alimentos que importa porque o agronegócio produz e vende bastante. Compramos menos do que vendemos porque os pequenos agricultores produzem com muito sofrimento os alimentos que mantém a barriga dos brasileiros cheias.

Enquanto os pequenos sofrem, os grandes lucram milhões produzindo para o exterior e, com isto, gozam com a concentração de terras e de poder político e econômico. Os pequenos ralam duro para produzir e ter acesso aos "bens de consumo". Os grandes manejam as estruturas do estado e as decisões políticas em favor da manutenção do controle dos meios de produção.

Katia Abreu, em sua fala, não só ignora o fato de que quase 70% do alimento consumido no Brasil é proveniente da agricultura familiar. Ela ignora também que 8 em cada 10 trabalhadores rurais estão em propriedades com até 50 ha. E também não cita em nenhum momento os efeitos negativos que a produção em larga escala implica no equilíbrio ambiental. 

Pois é, agronegócio significa justamente monocultura e pecuária em grandes extensões de terra buscando produções em níveis industriais. Grandes extensões de propriedades privadas, concentradas nas mãos de poucos, claro. Ou seja, propriedade concentrada, como os 67 milhões de hectares de terras públicas na Amazônia os quais Katia Abreu ajudou a jogar na colo de grileiros com a MP 458, que virou a Lei 11.952.

As monoculturas são comprovadamente insustentáveis. Demandam grande quantidade de defensivos químicos, empobrecem e reduzem a diversidade de microorganismos e substâncias no solo, até a terra ficar infértil para a plantação e ser transformada em pasto.

Um conselho à senadora: se a senhora quer ser coerente com a frase lá de cima, pode começar apoiando a reforma agrária e viabilizando a desconcentração de terras. E também pode estimular a produção agroecológica e ajudar a dar escala às diversas tecnologias sociais criadas pelas agricultura familiar em cooperação com universidades, centros de pesquisa e organizações da sociedade civil. E muito mais fácil, pode poupar a nossa paciência com discursos hipócritas.

2 comentários:

Rogério Wong 5 de julho de 2009 13:52  

Hahaha!!! Senadora, assim até o Sarney fala bonito, contexto é tudo!!! Valeu Brunão...

P.S.- Que menu de tags bacana, você que criou, senão tirou de onde?

Abraços Chileno...

Leandro 19 de setembro de 2009 17:44  

Muito legal esta materia Como entro em contato com Bruno Pinheiro
Queria pedir autorizaçao para divulgar este artigo

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