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quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Instituições que não participam do CBH-BS marcam eleição do Fórum da Sociedade Civil

Dezenas de entidades surgem para as eleições; Ecosurfi passa a ocupar cadeira de titular no CBH-BS




Por Bruno Pinheiro (Ecosurfi)

O Fórum da Sociedade Civil do Comitê de Bacia Hidrográfica da Baixada Santista (CBH-BS) renovou sua composição para 2010/2011, em eleição realizada no dia 12 de dezembro na Câmara Municipal de São Vicente. A Ecosurfi – Entidade Ecológica dos Surfistas assumiu cadeira de titular como entidade de defesa do meio ambiente.

A participação de instituições da sociedade civil na eleição foi surpreendente em relação à presença das mesmas nas reuniões ordinárias do Comitê. Geralmente, de uma a três entidades comparecem a cada reunião. Em comparação, cerca de 60 organizações, a maioria delas de Cubatão, apareceram para a eleição. No total, são mais de 500 organizações cadastradas no CBH-BS.

Mesmo sem ter cadeira no CBH-BS até então, a Ecosurfi já era ativa na Comissão Especial de Educação e Divulgação (CE-ED) do Comitê. A atuação da entidade está voltada a contribuir para o enraizamento da Educação Ambiental junto aos projetos e instâncias do saneamento ambiental e recursos hídricos da Baixada Santista.

comitê bacia hidrográfica baixada santista cbh-bs recursos hídricos ecosurfi“A grande interrogação para nós é o porquê, mesmo sem atuar no Comitê, estas instituições, sobretudo de Cubatão, mandam representantes para todas as eleições”, reflete o dirigente da Ecosurfi, André Barbosa. Segundo ele, se elas não atuam no Comitê, mas aparecem sistematicamente para votar, pode ser em benefício de algumas organizações em particular.

Para Barbosa, isto é motivo de preocupação, principalmente em função da grande quantidade de recursos financeiros que circundam o CBH-BS, oriundos da gestão dos recursos hídricos. A partir de janeiro de 2011 começa a cobrança da água, vai haver um boom na disponibilidade de recursos para projetos ligados ao saneamento e educação ambiental na região. Entretanto, a presença da sociedade civil organizada é sim um "fator positivo" na gestão dos recursos hídricos.

“Precisamos de instituições comprometidas com o controle social da aplicação destes recursos, privando pelas necessidades e direitos dos vários usuários da água. Não é possível participar do Comitê de dois em dois anos, somente nas eleições”, conclui o dirigente da Ecosurfi. É necessário, ainda, investir mais na capacitação de ONGs e associações para atuar nos Comitês de Bacias.

comitê bacia hidrográfica baixada santista cbh-bs recursos hídricos ecosurfiO CBH tem composição tripartite entre governos estadual, municipais e sociedade civil. Presidida pelo presidente do Sindicato dos Químicos de Cubatão, Herbert Passos Filho, a eleição escolheu, no total, 18 entidades para integrar o CBH-BS pelos próximos dois anos. Elas assumirão suas respectivas cadeiras no dia 1º de abril de 2010.

Gestão das águas da Baixada Santista
Durante reunião ordinária no dia 9 de dezembro, três dias antes da eleição, o CBH-BS debateu a inclusão do município de Itariri no Comitê. Integrante originalmente do Comitê de Bacia Hidrográfica do Vale do Ribeira e Litoral Sul, o município tem parte de seu território na bacia da Baixada Santista. Por ser uma questão complexa e envolver uma série de pendências que não puderam ser resolvidas na ocasião, o plenário resolveu analisar a proposta durante mais um tempo, apesar de receber muito bem a proposta, apresentada pelo prefeito de Itariri, Dinamérico Gonçalves Peroni.

Nesta mesma reunião, foi aprovado o Relatório de Situação dos Recursos Hídricos da Baixada Santista, responsável por justificar a distribuição e utilização dos recursos do Fundo Estadual de Recursos Hídricos (FEHIDRO), de acordo com as demandas regionais. O Relatório apresenta, com dados e detalhes, a avaliação do Comitê sobre a utilização dos recursos do FEHIDRO e a consecução das metas do Plano de Bacia.

Outro ponto importante da reunião foi a decisão de não se criar uma Câmara Técnica de Cobrança da Água. A proposta foi apresentada com o intuito de analisar e elaborar um prospecto da cobrança da água na Baixada Santista, que começará em janeiro de 2011. Entretanto, as competências desta Câmara Técnica iriam sobrepor-se às das Câmaras Técnicas de Usos Múltiplos e de Planejamento, motivo que levou o plenário a rejeitar sua criação.


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domingo, 3 de janeiro de 2010

Cada qual com seu ano novo

Por Bruno Pinheiro
Escrito em 07/01/2008



Mais um ano gregoriano acabou e outro começou. Aqui no litoral, todos na praia aguardaram a meia-noite como se a vida fosse mudar após o relógio demonstrar que outro ano começou.

E me pergunto: por que o ano termina 31 de dezembro e começa 1° de janeiro para todo mundo? Como em todas, algo de muito estranho nesta convenção.

Falar de ano é fazer referência a um ciclo: o movimento de translação. A dança de 365 giros de Gaia sobre o próprio eixo enquanto dá uma volta no Sol, como que em reverência à criação. Uma dança que na verdade nunca termina, recomeça...

Assim é também com os outros planetas regidos pelo tempo Sol. Giram em torno dele numa dança interminável, mas não levam o mesmo tempo que a Terra para completar o ciclo de translação. Assim como os astros, tenho o meu próprio jeito de dançar e me recuso a dançar em passinhos como os pagodeiros do apocalipse!

A volta ocidental em torno do Sol é regida pelo calendário gregoriano, segundo o qual os anos de todos nós começam e terminam simultaneamente. Imagine o Sol vestido de branco, estourando um espumante e a jantar lentilha...

À luz de uma proposta de organização temporal, vê-se rapidamente que o calendário gregoriano não é indicado para ordenar um ciclo. Tem subciclos irregulares (meses, semanas, dias...) e geração mecânica. Além da característica padronização propagada pelas forças globalizantes ocidentais. Não organiza, mas controla e massifica. E bagunça.

Em suma, o tempo não é, nunca foi e nunca será igual para ninguém, apesar de convivermos uma sicronia temporal. Não entramos aqui todos juntos e não seguimos as mesmas rotas, mas estamos todos aqui e compartilhamos o mesmo destino; assim como nos encontramos a todo instante no limiar do paradoxo autonomia e coletividade.

O tempo é a mente e a mente é a expressão cósmica do agora. Quando o agora é um tempo-igual-para-todos perde o encanto mágico da autonomia e o valor da criação. O tempo-igual-para-todos oprime o inesperado, é pre-estabelecido, esfaqueia a espontaneidade... Não entrei nesta dimensão junto a todos nem sequer vim pela mesma porta!

O girar dos ponteiros promove o passado de mera lembrança a fantasia vivenciada e cria nostalgia por um desejo desconhecido. Já o futuro, este sim, o único sobre o qual ainda é possível ser autônomo, torna-se a meta por excelência.

Quem tem o tempo igual a todos acha o agora insosso, sem sal, apócrifo; considera o passado a utopia conhecida; imagina para o futuro a possibilidade de reviver o passado ou um destino determinado.

E os sonhos têm quase sempre a forma de um futuro de poder. Este, qualquer que seja, distancia os homens do agora, instante atômico que passa despercebido pelos sentidos físicos; e não se pode esquecer que se distanciar do agora é fugir da própria mente.

Todos os sonhos de poder apontam para a matéria, e a matéria, que só pode ser tocada, não pode ser vivida, pode ser tocada por apenas alguns poucos. Para muitos não passa de desejo, para poucos é objetivo e resultado.

De qualquer forma, a matéria por si só não é uma utopia vivenciável. Como intuito, ela frustra as expectativas de realização, de possíveis melhoras e de harmonia com/no/do mundo até se perder a autonomia sobre os próprios sonhos.

Quem nunca desejou um produto inútil porque a propaganda instigou? Cuidado com os publicitários!, eles podem ser traiçoeiros... foram escolhidos para ser os oráculos da Babilônia! E por isso mesmo sua linguagem deve ser apropriada pela movimentação.

Não podemos permitir que o tempo e os sonhos sejam controlados. Deseje feliz ano novo no aniversário das pessoas.


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quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Juventudes latino-americanas estão sub-representadas nas negociações sobre mudanças climáticas

Recebi o e-mail que segue abaixo da Juliana Russar (@jubrcop15), a seguidora (Tracker) brasileira do projeto Adote um Negociador (Adopt a Negociator, em Inglês). A proposta do projeto é acompanhar as negociação sobre mudanças climáticas até a 15ª Conferência das Partes da Convenção sobre Mudanças Climáticas (COP-15), que acontecerá em dezembro, em Copenhagen na Dinamarca, e distribuir estas informações nos seus países de origem por meio das redes sociais.

Eu a conheci em Brasília recentemente, durante reunião do GT de Juventude do Fórum Brasileiro de Organizações e Movimentos Sociais (FBOMS). Um dos últimos contatos da moça foi feito de Bangkoc, onde está acontecendo a 4ª Rodada de Negociações sobre o Acordo Global do Clima (bem poderia ser do "acorda geral para o clima"), também conhecido como Cúpula de Bangkoc.

A Juliana trouxe informações sobre as movimentações da juventude neste processo de negociações internacionais sobre mudanças do clima. Estão lá na Tailândia algumas redes e organizações internacionais de juventude. Segundo ela, as juventude do sul, sobretudo as latino-americanas, estão subrepresentadas no processo, em comparação com grupos de jovens dos países ricos.

A perspectiva geracional, ao meu ver, é uma das questões fundamentais na construção de medidas de mitigação, adaptação e prevenção dos efeitos das mudanças climáticas. E as considerações dos jovens dos países ditos em desenvolvimento, assim como as do líderes de Estado e movimentos sociais destes mesmos países, não devem ser enfraquecidas em relação às dos países ditos desenvolvidos.

Há muita coisa em jogo, isto é um fato. Somente com ampla participação dos setores e segmentos dos países do sul será possível equilibrar a balança das negociações, que correm grande risco de terminar dando em nada de concreto. Isto fica claro pra mim, simplesmente por não me sentir representado pelos políticos brasileiros que estão tocando estas negociações.

Só com vontade política esta questão poderia ser encaminhada positivamente, pois para termos elos de diversos segmentos e setores brasileiros dedicados a acompanhar e intervir nas negociações, a demanda por recursos é alta. O próprio FBOMS, articulação da sociedade brasileira que mais tem se dedicado a intervir nestes espaços nos últimos anos, está com o poder de atuação reduzido em função da falta de recursos.

Por hora, façamos a nossa parte distribuindo informações, sensibilizando e mobilizando sociedade (a começar por nossos amigos, parentes e contatos pessoais) e fortalecendo campanhas e projetos que distribuem estas informações, favorecendo o empoderamento da sociedade, como a Adote um Negociador.

Conheça também outras campanhas de mobilização para a COP-15:



Veja abaixo o e-mail da Juliana.


Pessoal,

Estou aqui em Bangkok, Tailândia acompanhando reunião preparatória para a Cop-15 em Copenhague e conheci o Enrique Maurtua, da Argentina. Ele é encarregado da CAN-América Latina Joven. A CAN é uma rede formada por mais de 400 ONGs que acompanham as negociações internacionais sobre mudanças climáticas, sendo que o ponto focal da CAN no Brasil é o GT Clima do FBOMS.

Desde o ano passado, a CAN tem feito esforços para incluir mais gente do Sul global no processo das negociações internacionais, incluindo jovens. Nesse sentido, organizou várias oficinas. Em outubro, ocorrerão oficinas na América Latina e uma delas é para a juventude. Envio em anexo a programação, ficha de inscrição, apresentação. Haverá uma declaração final da juventude latino-americana sobre as mudanças climáticas para levar para a CoP-15.

Nenhum participante do Brasil ainda está confirmado. Eu ainda não sei se vou poder ir, mas gostaria de encorajá-los a ir, porque é importante alguém do nosso país participar. Infelizmente, a viagem para o Peru não será coberta pela organização do evento. Falei com o Enrique e ele disse que vai tentar fazer conferências por skype para o encontro.

Acompanho as negociações sobre clima desde 2007 e a juventude latino-americana é muito subrepresentada. Nessa rodada de negociações em Bangkok, além de mim, só uma mexicana e o argentino encarregado do encontro da CAN-LA estão aqui. No entanto, há sempre vários representantes da juventude de países do Sudeste asiático, da China, Índia e da África bem organizados. Ainda não consegui entender direito porque isso acontece.

Gostaria de ver muitas pessoas da juventude brasileira participando das próximas rodadas de negociações!

Por Juliana Russar


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sábado, 26 de setembro de 2009

Pela paz e contra as mudanças do clima, Ecosurfi pede praias mais limpas

Dia mundial da Limpeza em Rios e Praias em Itanhaém/SP é marcado pela participação de centenas de voluntários em momento pela PAZ



Mais de 160 voluntários despoluíram cinco pontos da cidade de Itanhaém no sábado, dia 19 de setembro, participando da Campanha Vamos Limpar o Mundo 2009, realizada pela Ecosurfi pelo sétimo ano consecutivo. A campanha, que integra as ações globais do Dia Internacional de Limpeza de Rios e Praias, foi a celebração de pessoas unidas para cuidar e enfrentar os efeitos das mudanças climáticas nas zonas costeiras.


Este ano a campanha teve como novidade a parceria com o Greenpeace e a inclusão da atividade nas ações da Campanha TicTacTicTac – A Hora é Agora, que chama a atenção da sociedade para as decisões relativas às mudanças climáticas que serão tomadas na 15ª Conferência das Parte (COP-15) da Convenção-Quadro das Nações Unidas para Mudanças Climáticas.


Reunidos na Praia do Sonho, em Itanhaém, os voluntários expressaram todo o sentimento e desejo por um mundo social, econômica e ambientalmente mais justo. Juntos, eles formaram um gigante símbolo da paz, chamando a atenção de autoridades e sociedade em geral para duas problemáticas muito sérias: a deterioração dos oceanos e as mudanças climáticas, lembrando que são os oceanos o verdadeiro pulmão do planeta Terra.



Depois de um alongamento e de formar o símbolo da paz, os voluntários se dirigiram para os pontos de despoluição: Praia do Sonho, Cama de Anchieta, Praia dos Pescadores, Ilha das Cabras, Morro do Sapucaitava e Praia da Saudade. Durante as duas horas de atividades de despoluição os voluntários que estavam divididos em 05 equipes coletaram mais de 500 quilos de resíduos sólidos nesses ambientes. Em sua maioria os materiais mais encontrados foram embalagens plásticas seguida por pedaços de isopor, tecidos entre outros. No final, todos se juntaram e meteram a mão na massa para separar os resíduos e calcular a quantidade coletada por tipo.

Resultado de uma parceria entre a Ecosurfi e a Escola Técnica Estadual (ETEC), que estabeleceu a partir deste ano (2009) “dia letivo” o sábado da campanha “Vamos Limpar o Mundo”, centenas de alunos e todo o corpo docente da escola estavam participando das ações.

“Foi uma experiência enriquecedora e mais uma vez a campanha foi um sucesso. A cada ano o envolvimento das pessoas é maior, sem contar o apoio e total colaboração que recebemos da juventude”, fala Jairo Adrian, coordenador da Campanha Vamos Limpar o Mundo 2009.


Eco-Galer@ – juventude ativa!
Além das novidades acima citadas, a Campanha este ano contou com um rico diferencial. A Eco-Galer@, grupo de jovens ambientalistas de Itanhaém, participaram da organização e planejamento das ações. Eles foram os responsáveis pela mobilização, elaboraram materiais informativos e deram palestras em escolas.

“É muito legal participar e ver o momento em que os jovens deixam de ser um projeto para se tornarem sujeitos ativos da transformação”, comenta André Barbosa, um dos formadores da Eco-Galer@.

A Eco-Galer@ é composta, principalmente, por jovens oriundos de uma Comissão de Meio Ambiente e Qualidade de Vida (Com-Vida) da Escola Municipal Maria Aparecida Amêndola Soares, onde passaram por processos de formação, envolvendo ações de Agenda 21 Escolar. Hoje estes jovens recebem formação semanal em organização juvenil, participação e controle social, políticas de educação, meio ambiente e juventude, métodos participativos, redes e educomunicação, fornecida pela Ecosurfi em caráter de parceria.

Em Itanhaém a campanha Vamos Limpar o Mundo / Dia Mundial da Limpeza em Rios e Praias – conta com o apoio do Restaurante Tia Lena, Itaprint – Impressão Digital, Academia Corpo e Forma, Litoral Sul Águas, Gordo Eventos e contabilidade Belas Artes. São parceiros estratégicos as organizações Global Garbage, Greenpece – campanha de Oceanos, ETEC – Escola Técnica Estadual e ASSU - Associação Socioambiental Somos Ubatuba, Ecogalera e organização local ONG Ecosurfi.

Publicado originalmente no site da ONG Ecosurfi


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quarta-feira, 24 de junho de 2009

Narrativas da Floresta

Se não quiser ler, ouça este post

O blog do projeto Narrativas da Floresta" traz uma série de depoimentos sobre comunicação e meio ambiente na Amazônia. Quem fala são comunicadores profissionais e alternativos da floresta do estado do Acre. Pessoas sensibilizadas com a questão ambiental e que vêem na comunicação um meio de exercerem a sua liderança local.

Os depoimentos fazem parte de uma pesquisa, que está sendo desenvolvida pelo professor da Universidade Federal do Acre (Ufrac) e coordenador da Rede Intercom Norte, Maurício Homem de Bittencour. O projeto tem vínculo institucional com a Ufrac e com o governo estadual do Acre.

Para saber mais sobre a pesquisa, acesse
www.narrativasdafloresta.blogspot.com.


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terça-feira, 9 de junho de 2009

Integração entre povos de duas florestas

Os caiçaras da UMJ - União de Moradores da Juréia estão buscando experiências sobre Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDSs) com ribeirinhos da floresta amazônica.

O seminário "Gestão Participativa em Reservas de Desenvolvimento Sustentável: Integração dos Povos da Amazônia e da Mata Atlântica", promovido pela UMJ, vai acontecer dia 16 de junho, às 14h, no auditório Teotônio Vilela da Assembléia Legislativa de São Paulo.


Até lá, a UMJ vai passar por 6 cidades com oficinas temáticas e organizará duas plenárias, uma em Iguape e outra em Registro. Maiores informações podem ser obtidas com o presidente da UMJ, Dauro Marcos do Prado, nos telefones (13) 8145-6662 / (13)3841-2388/2692.

Confira abaixo a Programação

08/06 - oficina Cananéia (Resex Mandira) 09hs
09/06 - oficina Barra do Turvo (Quilombo Ribeirão Grande) 09hs
10/06 - oficina Iguape (RDS Despraiado) 09hs
11/06 - oficina Pedro de Toledo (Câmara Municipal) 09hs
12/06 - oficina Peruibe (Núcleo do Parque Estadual do Itinguçu) 09hs
13/06 - oficina Iguape (Centro Comunitário Barra do Ribeira) 09hs
15/06 - plenária Iguape (Câmara Municipal) 09hs
15/06 - plenária Registro (Centro de Convenções KKKK) 16hs
16/06 - seminário São Paulo (Assembléia Legislativa) 14hs


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segunda-feira, 8 de junho de 2009

Marina Silva: Eles não falaram


FORAM DUAS horas, na casa de meu avô, no antigo seringal Bagaço, no Acre. Meu pai não tirava o ouvido do rádio, segurando o botão para manter a frequência e melhorar o chiado, a outra mão agarrada à tábua que era o suporte do aparelho. Equilibrava-se ora num pé, ora noutro, sem arredar um minuto. Ele acompanhava a transmissão da posse do general Garrastazu Médici na Presidência da República, em outubro de 1969.

A criançada ao lado, em silêncio, sabia só que estava acontecendo alguma coisa muito importante. Quando terminou, meu pai desligou o rádio, soltou os braços ao longo do corpo e olhou para minha mãe: "Ele não falou nada do aumento do preço da borracha". Na semana passada, me vi tendo a mesma reação de desânimo de meu pai. Li atentamente as entrevistas do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique à revista "Época" sobre as perspectivas do Brasil para 2020. E eles não falaram nada do meio ambiente.

Para não dizer que não tocaram no assunto, um o abordou ainda como problema, e o outro como exemplo de um tema novo da globalização. Mesmo assim, "en passant". Claro, trataram de temas importantes, demonstraram ser duas das mais importantes lideranças brasileiras, mas ambos estão na agenda do século 20, não tangenciaram a mudança de perspectiva que é a marca do século 21.

Os dois presidentes já tomaram iniciativas importantes na área ambiental, ambos têm discursos bem formulados a esse respeito, mas no improviso, parece que a coisa não vem de dentro. Parece não estar no cerne de sua concepção de futuro. Não reconhecem no Brasil, mais do que em qualquer outro país, o território propício ao surgimento de um modelo de desenvolvimento capaz de fazer a fusão concreta da justiça social sempre procurada, da dinâmica econômica e da dinâmica ambiental. No momento da decepção de meu pai, a empresa extrativista na Amazônia entrava em total decadência.

As fazendas começavam a ocupar espaço, a campanha "integrar para não entregar" entrava no ar, fazia-se propaganda para a compra de terras na região. Um mundo entrava em colapso, e quem havia passado a vida dentro da mata se sentia perdido.

Hoje, em âmbito incrivelmente maior, estamos num sistema em decadência e, novamente, não se tem uma visão estratégica de futuro, com sustentabilidade. O modo dominante de pensar está ancorado em questões compartimentadas. Há uma enorme dificuldade em reconhecer no ambiente natural o eixo integrador, a fonte dos limites, das oportunidades e do rumo que deve tomar a mudança estrutural que é a tarefa civilizatória do nosso século.

Por Marina Silva
Fonte: Jornal Folha de São Paulo (01-06-09)


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